Dia 24 de fevereiro no Centro Comunitário da Vila C, o treinador e fisioterapeuta Andress de Campos, do Instituto Meninos do Lago, realizou uma aula teórica para 32 Atletas Rosas para repassar importantes informações técnicas e, principalmente, de saúde correlacionadas aos movimentos de remadas.
Seguindo a metodologia IMEL publicada em seu site oficial, a preocupação primeira é desenvolver uma atividade desportiva prazerosa, saudável e segura. A intenção é inserir o atleta à sociedade da canoagem mundial, respeitando os valores ambientais, morais, éticos e padrões de segurança que norteiam esse esporte.
O grande problema, porém, quando se trata de técnica de remada, é que hoje todo mundo tem um telefone celular e, com isso, acha-se no direito de “contribuir” para o esporte fazendo vídeos que são publicados na internet os quais, em grande número, não obedecem princípios devidamente pesquisados e consagrados na literatura mundial esportiva e clínica.
Segundo o treinador Andress, a despeito de haver várias disciplinas de canoagem praticadas com equipamentos completamente diferentes, a biomecânica e a cinesiologia empregadas no movimento da remada são as mesmas:
“No esporte da canoagem existem várias opções para exploração do meio líquido. Para cada disciplina haverá dezenas de equipamentos disponíveis que deverão ser utilizados para execução dos fundamentos peculiares ao objetivo pretendido. Claro que equipamentos diferentes exigem comportamentos diferentes para a navegação e exatamente nesse tema se instaura um tema que pode afetar seriamente a saúde dos atletas quando se fala em técnica de remada. As fases aéreas e aquáticas utilizadas fielmente pela Canoagem Velocidade, não buscam apenas o alto desempenho em velocidade. Mais importante que a explosão em águas calmas é a observância dos movimentos corretos para não prejudicar a saúde dos atletas. Essa técnica desenvolvida foi amplamente estudada por treinadores e profissionais da saúde, como médicos e fisioterapeutas havendo centenas de publicações literárias e estudos científicos que determinam a forma correta do ataque, tração e saída. Não dá para inventar mais nada, quem fizer isso está fazendo um verdadeiro desserviço para a saúde dos seus atletas”.
Fazendo uma comparação com outras disciplinas o treinador e fisioterapeuta Andress complementa:
“Na Canoagem Slalom, por exemplo, são raros os momentos de sprints praticados em águas calmas e linhas retas. Normalmente os sprints duram apenas algo em torno de 3 segundos e são realizados em águas turbulentas, com refluxos, pedras e outros obstáculos, de forma que não se pode sustentar que a simples técnica de remada para a frente da Canoagem Velocidade, sem outras considerações, será suficiente para um bom desempenho do atleta da Canoagem Slalom. Claro que não. Porém, até o presente momento, não encontramos nenhuma obra que ensine didaticamente fases e subfases distintas das já consagradas na literatura e na ciência. Essa assertiva é comungada nas obras renomadas de canoagem e, por esse motivo, o IMEL valoriza muito tais orientações”.
Dentro da canoagem não é muito difícil encontrar atletas e até mesmo treinadores experientes dizendo que não se pode utilizar os mesmos princípios da Canoagem Velocidade em outras disciplinas, simplesmente por se tratar de utilização de equipamentos diferentes que exige especificidades próprias.
Para a coordenadora do Projeto Meninos do Lago, Magda Couras, os profissionais do projeto devem seguir rigorosamente os fundamentos previstos na metodologia IMEL que está publicada no site oficial, sem inventar absolutamente nada de divergente, pois além do objetivo de preservar a saúde dos atletas tem ainda a questão de preservar a imagem do próprio patrocinador, que jamais irá concordar em priorizar resultados à saúde dos praticantes. Entre a orientação de um treinador e de um profissional de saúde, o IMEL dará preferência sempre a ciência devidamente abalizada em estudos publicados que preservem o esporte para toda a vida.

“Como já disse o Andress, a biomecânica e a cinesiologia são as mesmas para o desenvolvimento da técnica de remada em qualquer tipo de embarcação. Aliás, dentro do objetivo de levar a embarcação de forma mais rápida, ninguém vence a Canoagem Velocidade. Outro fator primordial para esse entendimento é que não se trata apenas de movimentos pragmáticos, mas sim algo muito maior que é a saúde do atleta. Nos movimentos corretos da técnica da Canoagem Velocidade, cada ação é devidamente pensada e abalizada pela ciência. Em assim sendo, entendemos que para um processo de ensinança sério, é necessário que haja respaldo acadêmico até mesmo para se evitar denunciações futuras de imperícia, imprudência ou negligência. Definitivamente só existe uma técnica de remada para a frente amplamente estudada e com vários estudos científicos publicados na área desportiva e na área de saúde. Além disso, não nos parece motivo de discussão, haver uma modalidade especializada em velocidade, tanto para corridas curtas como para distâncias mais longas, de forma que esta técnica não pode e não deve ser desprezada pelas demais disciplinas. A Canoagem Velocidade é a mais estudada e praticada e acabou desenvolvendo uma técnica para propulsão mais rápida da embarcação, através de movimentos precisos de seus atletas que devem ser seguidos à risca na metodologia IMEL, independentemente se o ensinamento é direcionado à Canoagem Slalom, Caiaque Polo, Paracanoagem ou Dragon Boat”.