No domingo, 22 de fevereiro, Foz do Iguaçu celebrou o “Ano Novo Chinês” com evento cultural realizado na Praça da Paz reunindo apresentações artísticas, músicas tradicionais, demonstrações culturais e gastronomia asiática.
Trata-se de uma das mais importantes datas do calendário cultural chinês e que, ao longo dos anos, tem fortalecido o intercâmbio entre Brasil e China. Também conhecido no Continente Asiático como Festival da Primavera, o evento teve início no dia 17 de fevereiro e marca o começo do Ano do Cavalo de Fogo, símbolo de energia, movimento e renovação. Seguindo o calendário lunar, a celebração representa um período de novos ciclos, esperança e prosperidade, sendo comemorada por milhões de pessoas em todo o mundo.
Em Foz do Iguaçu, uma das disciplinas da Canoagem, tem forte vínculo com a cultura chinesa, que é o Dragon Boat. Inclusive, essa embarcação também conta com um grande festival naquele continente. Segundo Wander in China, a origem da lenda do Festival do Barco Dragão mais proeminente e amplamente aceita centra-se na figura trágica de Qu Yuan, um poeta patriótico e ministro leal que viveu durante o período dos Estados Combatentes (475-221 a.C.).
Qu Yuan serviu ao Estado de Chu com lealdade inabalável e sabedoria. Ele defendeu reformas políticas e instou seu rei a formar uma aliança com outros estados para resistir ao poder crescente do estado Qin. No entanto, seus conselhos foram rejeitados pelo rei, que foi influenciado por funcionários corruptos. Qu Yuan foi difamado, exilado e caiu em desespero ao testemunhar seu amado estado de Chu enfraquecer e eventualmente cair para os invasores Qin.
No quinto dia do quinto mês lunar em 278 a.C., dominado pela tristeza e desilusão com a derrota iminente de sua terra natal, Qu Yuan afogou-se no rio Miluo.
Ao saber de sua morte, as pessoas locais, que muito admiravam Qu Yuan, correram para seus barcos e remaram freneticamente no rio, na esperança de recuperar seu corpo. Eles bateram tambores e espalharam água com seus remos para afastar espíritos malignos e assustar os peixes para que não devorassem seus restos mortais. Para proteger ainda mais seu corpo, eles jogaram arroz glutinoso envolto em folhas de junco (o precursor do Zongzi moderno) no rio como oferendas. Este ato de remada frenética e oferendas é considerado a gênese tanto das corridas de barcos dragão quanto do consumo de Zongzi.

Folclores à parte, o fato é que esse barco se tornou símbolo da força feminina quando no ano de 1996 o médico canadense especialista em medicina esportiva, Donald McKenzie, promoveu um estudo com mulheres que passaram pelo tratamento e a retirada do seio, observando efeitos positivos relacionados à prática esportiva em um grupo piloto de praticantes de canoagem da modalidade Dragon Boat. Após a comprovação científica da eficácia, iniciou-se o movimento das “Remadoras Rosas” que se agiganta ano a ano em todos os continentes.
Em 16/04/2021, graças ao apoio da Itaipu Binacional, o Instituto Meninos do Lago recebeu o seu primeiro “Dragon Boat”, um gigante de 15 metros, pesando 250 kg, com capacidade para 22 pessoas. Esse movimento que começou com poucas mulheres, hoje ganhou a confiança do setor de Oncologia do Hospital Itamed de Foz do Iguaçu e, com o apoio dessa importante Instituição, já ultrapassa mais de 50 Remadoras Rosas sobreviventes do câncer de mama, filiadas ao Instituto Meninos do Lago, considerado a maior equipe do Brasil.

Respeitando essa origem as “Meninas do Lago”, como gostam de ser chamadas, participaram da iniciativa realizada pelo Município de Foz do Iguaçu em conjunto com o Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina), Consulado-Geral da China em São Paulo e a Embaixada da China no Brasil.
Já no início da celebração, para demonstrar a força do coletivo, as Meninas do Lago simularam a remada no seco que acabou despertando muita atenção do público presente sendo ovacionadas ao final, não só pela beleza plástica da cena, mas também pela simbologia da superação de uma doença terrível deixando a mensagem que a medicina e o esporte caminham juntos.
